Uma estupidez na USP

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Um ponto me chamou a atenção na greve dos professores, funcionários e alunos da USP –e quase tem a ver com as reivindicações salariais. Uma das razões da paralisação é a oferta de vagas de cursos a distância, acusados de baixa qualidade. É uma maluquice elitista e retrógrada.

Com os avanços dos meios de comunicação, natural que se expandam os recursos não presenciais para oferecer ensino. Há evidências, em várias partes do mundo, de que os cursos a distância, se bem preparados, combinados com tutoria virtual e encontros presenciais, produz bons resultados. Aliás, alunos desse tipo de curso, no Brasil, têm demonstrado, nas avaliações, até melhor desempenho em relação aos alunos do sistema regular.

Estão investindo, em primeiro lugar, contra o avanço tecnológico –que já seria uma estupidez sem tamanho especialmente num ambiente universitário, que deveria sempre estar aberto à inovação.

Ataca-se um sistema que, além de aumentar o número de vagas, facilita a entrada na universidade dos mais pobres –outra estupidez de quem se diz preocupado com a inclusão social.

Gilberto Dimenstein, 52, é membro do Conselho Editorial da Folha e criador da ONG Cidade Escola Aprendiz. Coordena o site de jornalismo comunitário da Folha. Escreve para a Folha Online às segundas-feiras.

E-mail: palavradoleitor@uol.com.br


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