"Me sinto humilhada", diz brasileira impedida de ver filhas em Portugal

CAROLINA FARIAS
da Folha Online

Na esperança de rever as filhas, Rosenilda Barbosa Alves, 26, de Camaçari (BA), está em Portugal há mais de três meses. As meninas, uma de três e outra de nove anos, estão sob a guarda de uma cidadã portuguesa, sem o aval da mãe, porém, com amparo da Justiça daquele país. A mulher não pode chegar perto das meninas e fala somente com uma delas ao telefone, duas vezes por semana. O Consulado do Brasil em Portugal, a pedido do Ministério Público da Bahia, tenta reverter a situação e repatriar as crianças, com base na Convenção de Haia.


“Estou me sentindo humilhada porque vim aqui na expectativa e já vai fazer quatro meses [que estou aqui] e nada ainda. Não pude ver minhas filhas. Só vou sair daqui com minhas filhas. Nem que custe um ano, dois anos, três anos, mas só saio com elas”, disse Alves à Folha Online, por telefone.

Quando fala com a filha mais velha, Alves diz ficar ainda mais triste. Afirma que a garota foi influenciada pela esteticista Paula de Jesus Costa Figueiredo, que está com as meninas.

“Ela diz que [elas] estão bem. A mulher está induzindo a cabecinha dela. Minha própria filha está contra mim. Ela fala que não gosta de mim, que não gosta do Brasil, que somos todos mentirosos. Minha filha está fazendo isso porque a mulher colocou isso na cabecinha dela”, afirmou a mãe das garotas. Com a filha mais nova, Alves disse que nunca falou ao telefone.

Alves afirmou que é estudante e trabalhava no comércio dos pais, com quem também morava em Camaçari. Ela cursaria a 8ª série do ensino fundamental nesse ano. Alves foi para Portugal com as filhas em 2005 para trabalhar na casa da esteticista e fazer um curso de estética.

“Quando vim para Portugal ela fez com que eu fizesse um curso de estética com uma amiga dela. Eu morava com essa amiga dela. Eu estava fazendo o curso de estética e não gostei. Queria uma coisa para trabalhar. Não queria ficar só estudando e dependendo das pessoas, queria trabalhar ter meu dinheiro e dar uma vida melhor para mim e minhas filhas”, disse Alves.

Diante da recusa e concluir o curso, Alves disse que foi questionada pela esteticista se queria trabalhar. A mãe das garotas afirmou que sim e ouviu de Figueiredo que deveria voltar ao Brasil e que ela enviaria, por meio do consulado português, um contrato de trabalho, onde Alves deveria procurar. “Eu procurei e nada. Então procurei a Justiça e contei a história toda, porque não ia perder minhas filhas para uma estranha. Jamais”, afirmou Alves.

Apesar de alegar que foi a Portugal para dar uma vida melhor para as filhas, Alves alega que tem uma vida “boa” em Camaçari. “Minha casa no Brasil é muito boa. Meus pais têm uma casa maravilhosa. Uma não, duas. Eles têm comércio. Eu tenho tudo”.

A mãe das garotas nega que teve a intenção de vender ou dar as filhas para a esteticista. Ela afirma que assinou um suposto contrato de trabalho, oferecido por Figueiredo, sem ler.

“Se tivesse vendido as minhas filhas, tivesse feito qualquer coisa errada, não tinha procurado a Justiça, a polícia, não tinha procurado nada. Falaram que eu dei minhas filhas para ela, uma coisa que eu nunca fiz. Assinei alguns papeis sem ler, porque confiei nela”, disse a mãe das meninas baianas.

Alves está na casa de amigos em Lisboa e também está na dependência deles. “Não tenho despesa com nada até eu resolver minha situação”, disse a mulher.

Outro lado

Procurada pela reportagem, a defesa da esteticista portuguesa declarou que não vai se manifestar sobre o caso para “resguardar o bem- estar das crianças”.

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