Sangue do cordão umbilical: quando guardar?

Genética

Mayana Zatz

Geneticista e diretora do Centro de Estudos do Genoma Humano (USP) | email: mayanazatz.ciencia@gmail.com

Eu gostaria de saber se meu filho, que tem paralisia cerebral devido a anóxia de parto, seria beneficiado com um transplante de células-tronco se eu engravidasse e usasse o cordão umbilical desse meu novo bebê. Como deveria proceder, que centro especializado poderia procurar? Vi essa reportagem de um hospital na Espanha. A senhora já ouviu falar? Sou médica, resido em São Vicente, São Paulo.
(Denise)

Sangue de cordão umbilical e células-tronco

Já escrevi várias vezes a respeito, mas como continuo recebendo emails me questionando, acho que vale a pena retomar o tema. As únicas doenças que podem ser tratadas com células-tronco do sangue de cordão umbilical são as doenças hematológicas (da medula óssea), como leucemia, algumas formas de anemias ou talassemias. Foi esse o caso do bebê da Espanha que recebeu um transplante do irmão recém-nascido. Insisto. Só valeria a pena tentar ter uma outra criança ou guardar o sangue do cordão em um banco privado se houvesse um caso na família com uma doença hematológica que pudesse ser tratada com células-tronco de cordão umbilical. Assim mesmo, precisaria haver compatibilidade entre os dois.

Qual é o custo de guardar o cordão em um banco privado?

Você pode fazer uma conta muito simples. A coleta de cordão por bancos particulares custa em torno de 5.000 reais e a manutenção anual, cerca de 500 a 700 reais. Se em vez de gastar esse dinheiro para guardar o sangue do cordão, uma pessoa colocasse esse montante em uma aplicação financeira que lhe rendesse 10% ao ano teria ao fim de 20 anos dinheiro suficiente para comprar até dois cordões umbilicais, em qualquer lugar do mundo, se for necessário. Insisto: as pesquisas científicas confirmam que as células-tronco de sangue de cordão só são úteis para doenças hematológicas.

Precisamos de mais bancos públicos

O sangue de cordão deveria ser armazenado em bancos públicos como por exemplo o Eurocord, o banco europeu que armazena 300.000 amostras e já registrou cerca de 6.000 transplantes, a maioria em crianças. O Brasil precisa criar mais bancos públicos, em vários estados, de modo a cobrir a variabilidade étnica de nossa população. Eles funcionariam como os bancos de sangue e poderiam contribuir para salvar inúmeras vidas. Só depende de vontade política.

Existem outras fontes de células-tronco

Finalmente, é importante lembrar que existem outras fontes de células-tronco como o tecido adiposo, a polpa dentária ou o próprio cordão umbilical que podem ser mais ricos em células-tronco que o sangue. Novas pesquisas caracterizando o potencial dessas células, obtidas de outras fontes, poderão trazer resultados surpreendentes. Portanto, se você não guardou o sangue do cordão do seu filho, não se preocupe.

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